sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Erros e acertos da vida

Há algum tempo fiz visitas (a pedido de uma amiga) a uma mulher que estava com AIDS, hospitalizada no Hospital João Alves. Durante os dois meses que a visitei foi suficiente para conhecer seus medos, anseios, um pouco dos seus sonhos e do seu passado.
Ela contou pra mim e a enfermeira que já tinha sido casada e que tinha tido dois filhos, só que cansou da vida de doméstica, esposa, mãe e saiu pelo mundo afora, abandonando tudo. Como não tinha como se sustentar, foi viver da prostituição, no começo gostava, saia com caminhoneiros, bebia, dançava. Com tempo se arrependeu, mas não tinha como voltar atrás.
Dez anos tinham se passado, agora estava internada, sozinha e doente.Em certa visita perguntou-me qual a idade que eu dava pra ela: disse-lhe que era péssima nisso, ela revelou que tinha 36, pensei que tinha 46 ou mais, comentei que estava bem para a idade, ela ficou feliz.
Acompanhei seu sofrimento juntamente com duas amigas missionárias da Igreja Batista, que lhe deram grande assistência. Ela aceitou Jesus e nos revelou do seu arrependimento, que tinha vontade de procurar alguma igreja evangélica, mas os “amigos” lhe diziam que as igrejas cobravam 30 reais só pra entrar no templo. Foi engraçado, rimos juntas e as missionárias explicaram a respeito do dizimo e do procedimento de algumas congregações.
Passando o tempo soube através da assistente social que ela pediu para escrever cartas a família, explicando sua situação, mas não houve respostas.
Tive dó, da nossa já considerada amiga em Cristo, também pensei na dor de sua família, o que eles passaram durante esse dez anos.
A todos é dado o livre arbítrio, ela escolheu o seu destino, a sua vida. Então pensei que sua família também tinha o direito de escolher perdoar ou não perdoar.
Completado quase quatro meses de internamento, ela faleceu, no enterro só a Assistente Social e a Missionária da Batista que lhe deu a maior assistência mostrando compromisso de fé e amor cristão. Infelizmente eu estava em Estância e só soube do ocorrido três dias depois.
Mas valeu os momentos em que estivemos juntas, o quanto aprendi com os seus erros e acertos, ao qual posso acrescentar o pensamento do escritor Paulo de Tarso de Moraes Souza, “Na vida a gente está toda hora pagando pelos erros que comete e se beneficiando dos acertos por ventura realizados”.

Um comentário:

  1. Gostei...estou lendo um livro chamado A ATRIZ, e me lembrei dele ao ler a historia dessa senhora. Nele nós aprendemos que glamour e decadência caminham lado a lado e a dor nos faz compreender a vida bem melhor. E Jesus nos chega como um alivio e consolo. Continue assim, levando alegria aos necessitados. Esse é o caminho para a salvação! "Estive doente e fostes me visitar...."

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