quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Exímio dançarino




Aos 83 anos, acamado pós derrame, meu pai tem muitas histórias para contar:
Essa semana, setembro de 2012, ao receber a visita de uma sobrinha e da sua filha, uns dos assuntos foi sobre os bailes de antigamente, onde ele comentou que tinha muita vontade de dançar, só que sua timidez não deixava.
Relatou que em certa ocasião, morando em São Paulo, foi ao baile com um primo que era um exímio dançarino.
O primo  apresentou uma garota para que ele a convidasse para dançar.Ele a convidou.Só que meu pai não sabia dançar e ficou tão atrapalhado e envergonhado que nunca mais na vida teve coragem de tirar outra garota para valsar.
Então comentei:
Oxente, meu pai, por que o senhor não aproveitou que seu primo era um excelente dançarino e aprendeu a dançar com ele?
Ele prontamente respondeu:
-Mas minha filha, eu não queria dançar com homem, eu queria dançar era com as mulheres!
Meu pai é demais, pena que não teve estímulos necessários para também se tornar um “exímio dançarino.”

Telma Costa

sábado, 8 de setembro de 2012

Menino Chorão , menino Turrão



Menino Chorão , menino Turrão

D. Pequena não sabia mais o que fazer. Seu filho Aparício chorava o dia todo e quando tinha raiva ficava todo roxo e caia no chão como morto.
 Coitada de D. Pequena , já estava ficando desesperada. Levou o menino numa rezadeira, mais nada adiantou. Ensinaram-lhe chás e mais chás , mais nada resolvia e o menino só piorava.
 Até que ela resolveu procurar um médico.
_ Doutor, não sei mais o que fazer, o meu menino chora sem parar e fica todo roxinho, tadinho.
_É seu primeiro filho ?
_ É sim senhor.
_ Deixa eu examinar o moleque.
 O doutor mandou botar o menino em cima da cama e examinou tudo , barriga, ouvido , garganta, pé... Quando terminou ,  sentou-se e ficou pensativo.
_Diga logo senhor doutor, o que meu filho tem é grave?
_ Não senhora, já tenho um remédio que é tiro e queda. Toda vez que ele cair roxo no chão a senhora dar coro nele.
_ O que é dar “coro” doutor?
_A senhora não sabe? É  só pegar um cinturão e dar um corinho,se ele não melhorar na primeira , tenho certeza que melhora na segunda.
 A mãe de Aparício saiu desconfiada do consultório; “ que doutor mais doido , mandar bater em um menino tão pequeno”. Chegando a casa contou a seu marido.
_ Bem que eu lhe disse mulher: menino turrão tem que caí no coro do cinturão.
 Aparício ficou quieto ouvindo tudinho, mas como nunca apanhou, não entendia direito que conversa era aquela de coro, cinturão , e ficou na dele. Bastou a mãe começar a fazer o serviço que ele começou a chorar . Chorou tanto que caiu no chão roxinho como berinjela.
_ Meu Deus, será que o doutor sabe tudo mesmo. Se ele estudou tanto... Que Deus me perdoe...
D. Pequena foi lá dentro pegou o cinturão , deu duas lapadas em Aparício e disse? “ menino chorão e turrão , caí no coro do cinturão.”
 Ele ficou paradinho , quietinho, com as pernas vermelhinhas... Sua mãe ficou com dó no coração, mas deixou-o sozinho e foi terminar o serviço.
 Desse dia em diante, Aparício só chorava quando tinha dor de verdade. Às vezes ele tinha até vontade de fazer uma birra, mas bastava lembrar do coro , do cinturão , do doutor , e de sua mãe dizendo : menino chorão , menino turrão ...
 Que ele ficava até rindo de montão.
                                                                     Telma Costa
Essa história aconteceu em 1965 com uma amiga de minha mãe, achei  tão legal que resolvi escrevê-la.