terça-feira, 29 de maio de 2012

Saudades!


No dia 24 de maio deste ano corrente, estando em Estância (minha terra natal), após o jantar, convidei meu pai para vermos a lua na frente da casa. Meu pai está numa cadeira de rodas após um derrame isquêmico, e a coisa que ele mais gosta é apreciar a beleza da lua, todos os dias ele pede para ver a sua querida amante. Com certeza meu pai e Mario Quintana comungam do mesmo pensamento “... "Mas que haverá com a lua que sempre que a gente olha é com um novo espanto?..."

Passando da poesia para o momento de apreciação aos encantos da lua, pedi a minha sobrinha que trouxesse uma cadeira para mim e comentei que naquele momento estava sentindo saudades do meu irmão (falecido há dois anos), pois ele adorava também sentar a porta da casa para conversar com os transeuntes.

Meu pai perguntou o que foi eu tinha falado. Repeti o assunto e perguntei se ele sentia saudades do meu irmão. Ele respondeu que não.

-Como não, meu pai, o senhor não sente saudades do seu filho?

Verdadeiramente ele responde:

- Como posso sentir saudades de um filho que só desejava meu mal, minha morte?

-  É verdade meu pai. Mas o senhor é crente e a bíblia manda que a gente perdoe, não é verdade? E o senhor também sabe que ele tinha problemas com o álcool.

- Sim, minha filha, isso tudo é verdade! Eu já perdoei seu irmão por tudo que me fez, mas não sinto saudades dele.

- Nem um pingo?

- Nem um pingo.

- Na sua parte o senhor tem razão meu pai, mas eu sinto falta dele e muitas saudades!

E continuamos em silencio,admirando a bela e resplandecente lua, eterna enamorada do meu velho pai.


Ps: Meu irmão desenvolveu um ódio sem explicação por meu pai que só a espiritualidade explica.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Lembranças

Lembranças

Certa madrugada do mês de março deste ano (2012),  meu pai (83 anos) lembrou-se de sua mãe e comentou:
-Quando minha mãe morreu , eu chorei nove meses sem parar, ou foi catorze anos?!Não me lembro.
Respondi: -  meu pai, acredito que foi mais de 14 anos. Lembro-me que na minha adolescência o senhor acendia uma fogueira em homenagem a sua mãe e dizia que ela tinha se tornado uma santa,não é verdade? Santa Josefa?
-Santa ou não, o que eu sei é que ela era uma grande  mulher e eu a amava de espírito e coração!
-E minha vó Júlia, sua madrasta, também foi gente boa não é?
-Sim, ela foi uma grande mulher, tinha a virtude de nos consolar. Também merecedora de admiração!
- Será que elas estão nos ouvindo lá no céu, meu pai?
- Se estão ouvindo ou não,eu não sei. Sei que você é que está me ouvindo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Rei e o súdito

 Há muito tempo, num Reino distante, havia um Rei que não acreditava na bondade de Deus.

Tinha, porém, um súdito que sempre lhe lembrava dessa verdade, em todas situações dizia: "Meu Rei, não desanime, porque Deus é bom!"

Um dia, o Rei saiu para caçar juntamente com seu súdito, e uma fera da floresta atacou o Rei. O súdito conseguiu matar o animal, porém não evitou que sua Majestade perdesse o dedo mínimo da mão direita.

O Rei, furioso pelo que havia acontecido, e sem mostrar agradecimento por ter sua vida a salvo pelos esforços de seu servo, perguntou a este: "E agora, o que você me diz? Deus é bom? Se Deus fosse bom eu não teria sido atacado, e não teria perdido o meu dedo. "

O servo respondeu: "Meu Rei, apesar de todas essas coisas, somente posso dizer-lhe que Deus é bom, e que mesmo isso, perder um dedo, é para seu bem! "

O Rei, indignado com a resposta do súdito, mandou que fosse preso, e na sela mais escura e mais fétida do calabouço.

Após algum tempo, o Rei saiu novamente para caçar e aconteceu dele ser atacado, desta vez por uma tribo de índios que vivia na selva.

Estes índios eram temidos por todos, pois sabia-se que faziam sacrifícios humanos para seus deuses. Mal prenderam o Rei, passaram a preparar, cheios de júbilo, o ritual do sacrifício.

Quando já estava tudo pronto, e o Rei já estava diante do altar, o sacerdote indígena, ao examinar a vítima, observou furioso: "Este homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso! Falta-lhe um dedo!" E o Rei foi libertado.

Ao voltar para o palácio, muito alegre e aliviado, libertou seu súdito e pediu que viesse em sua presença. Ao ver o servo, abraçou-o afetuosamente dizendo-lhe: "Meu Caro, Deus foi realmente bom comigo! Você já deve estar sabendo que escapei da morte justamente porque não tinha um dos dedos. Mas ainda tenho em meu coração uma grande dúvida:" Se Deus é tão bom, porque permitiu que você fosse preso da maneira como foi... logo você que tanto o defendeu!?" O servo sorriu e disse: "Meu Rei, se eu estivesse junto contigo nessa caçada, certamente seria sacrificado em teu lugar, pois não me falta dedo algum!"

Conto Anônimo

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Experiência de amor, controle e ódio

Existe uma experiência, simples como uma fábula, que pode tornar realidade a ideia de estar verdadeiramente em contato com a vida- fresco e viçoso como um pé de feijão voltado para o sol.

Arranje sementes simples, feijão ou cevada são boas. Plante dez sementes em cada um de três vasos. Pregue etiquetas de amor, controle, ódio.

Nas próximas semanas, todas receberão o mesmo tratamento físico, ou seja, a mesma quantidade de água , luz , etc.

Durante cinco ou 10 minutos, duas vezes por dia, comunique-se ou comungue com seu vaso de amor. Mentalmente ou em voz alta, alimente as plantas com pensamentos positivos, encorajadores. Reze por elas, abençoe-as se quiser. Diga-lhes que são as melhores sementes do mundo, que de qualquer maneira vão crescer lindas e fortes. Tente sentir-se em harmonia e ame seu desabrochar.

Visualize-as crescendo saudáveis e firmes enquanto fala. Não faça nada com o vaso de controle.

Use o vaso do ódio para descarregar as frustrações do dia. Jogue sua raiva sobre essas sementes. Desestimule-as. Diga-lhes: ‘’ Vocês não prestam, não valem nada. Ninguém quer uma porcaria dessas. O mundo é horrível, não vale à pena sair por que vocês não vão mesmo gostar. Não precisam nem experimentar... ’’ Estas frases lhe são familiares? Visualize-as murchinhas, esmirradas.

Depois de algumas semanas, compare os vasos. Confira a altura, volume da folhagem, as raízes. Percebe alguma diferença? As sementes do vaso “ controle’’ possivelmente estarão normais ; as do vaso ‘’ ódio’’ estarão raquíticas e as do vaso ‘’ amor’’ estarão luminosas e cheias de vida.

Diversos tipos de pessoas sejam crianças de colégio, comunidades religiosas, ou cientistas, por meio desta abordagem tão simples, descobrem que, de uma forma ou outra, seus pensamentos têm influência tangível. Esta é uma bela experiência para começarmos o ano. Boa sorte! Abraços

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um sonho realizado

Noite feliz, noite feliz... E o som da música invadia todo o ambiente. Léa arrumava sua linda casa para a recepção da noite de natal e de seu aniversário, que por coincidência eram no mesmo dia. À noite a casa estava linda! Léa começou a esperar os convidados, que vinham chegando aos poucos. Uns chegavam, cumprimentavam, comiam alguma coisa e iam embora, outros ficavam mais um pouco. Quando os sinos tocaram meia noite. Léa percebeu que já estava sozinha.
Ela ficou muito triste e sentou-se numa cadeira de balanço. Pensativa, ficou até adormecer e entrou no mundo estranho dos sonhos. Sua casa estava cheia, crianças correndo, outras brigando para poder armar a árvore de natal.
 - Vovó, eu posso ajudar também? - Não, Vinícius, você é muito pequeno, vá ajudar a enrolar os brigadeiros.
 - Lívia, cuidado para não quebrar a bola, querida!
 - Paulinha e Laís venham me ajudar a bater o bolo.
 - Danilde, minha linda, você toma conta de Suyane para vovó?
 - Tomo vovozinha.
 - Thalita, querida, dê um banho em Danila, que a cara dela está cheia de brigadeiro.
 De manhã D. Léa acordou sorrindo. E com muito amor para dar tomou uma decisão muito séria.
 D. Léa tinha muito dinheiro, nunca pensou em se casar, sempre viveu para o trabalho. Não se sentia velha, ao completar 60 anos. Agora ela sentiu que as pessoas precisam muito mais que coisas de luxo. E no dia 26 de dezembro, foi ao orfanato e adotou 8 crianças como seus filhos. Todos achavam um absurdo, que ela estava louca, mas D. Léa sabia que foi a melhor coisa que fez em sua vida.
 - No próximo natal, meus queridos, vocês vão encher essa casa de alegria. Boa noite, meus anjos!
 - Boa noite, mamãe! E as vozes soaram em coro. E Dona Léa foi dormir, com o coração cheio de amor e esperança.
 Telma Costa (Conto publicado no Jornal Sul de Sergipe pelo escritor Carlos Tadeu época em que colaborava com o jornal estanciano no ano de 1998 e também publicado no seu livro “A vida é um tremendo mistério” publicado em 2010.)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Relógio da Vida

"Um dia, porém, também deixam de existir. O coração pára para sempre, os olhos fecham para contemplação de tudo e o cérebro deixa de funcionar. O homem e a mulher, entretanto como artigos pessoais e especiais, sempre serão lembrados pela sua fisionomia, pelo seu sentimento, pelos seus gestos e atitude na memória de muitos; bem diferente, portanto, dos relógios que marcam as horas, mas não assinalam a saudade."Junot Silveira,a Tarde,Salvador,Ba. Do Livro As relações humanas em destaque de Gétúlio Pinto-Editora Nobel.