segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Relógio da Vida

Um dia, porém, também deixam de existir. O coração pára para sempre, os olhos fecham para contemplação de tudo e o cérebro deixa de funcionar. O homem e a mulher, entretanto como artigos pessoais e especiais, sempre serão lembrados pela sua fisionomia, pelo seu sentimento, pelos seus gestos e atitude na memória de muitos; bem diferente, portanto, dos relógios que marcam as horas, mas não assinalam a saudade.
Junot Silveira,a Tarde,Salvador,Ba. Do Livro As relações humanas em destaque de Gétúlio Pinto-Editora Nobel. Hoje dia 5 de dezembro fazem dois anos da morte carnal do meu irmão. Ainda lembro-me do seu olhar, da sua boca, dos cabelos... Ainda lembro-me dos nossos últimos dias juntos, do seu olhar de medo e esperança nas vésperas da cirurgia. Sinto saudades da nossa cervejinha no Farnaval e de como ele se lembrava de levar o prato de Aratu para meu marido na beira da maré “O cara paga tudo, tem que puxar o saco!” Dos telefonemas à tarde “Morena escuta essa música, olha tou aqui bebendo com os amigos, mas se quiser vou ficar aí com você?”. De quando ele foi o guia da minha cunhada Magali e seu marido Português “Rapaz, o cara é mesmo português, fala mesmo português,tem horas que nem entendo o que ele fala” Para chatear eu dizia “Quem manda não querer estudar”. Saudades,saudades,saudades...

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