terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Planta da saudade



Durante dois anos após o falecimento do meu irmão chorei todos os dias de saudades,ás vezes ficava com raiva de mim mesma e dizia “ Telma, Lico só dava trabalho a seus pais,deixe de ser boba”.Dois meses após seu falecimento um amigo falou que eu estava feia,envelhecida,respondi que era de saudades do meu irmão e ninguém entendia minha saudade.
Apesar da sua problemática com o álcool e com meus pais,eu e ele tínhamos afinidades e ele sempre procurava me agradar com pequenos mimos,uma manga rosa bonita,uma goiaba,um CD novo de artistas da terra,um telefonema quando estava bebendo e botando bossa que tinha irmã escritora e depois  passava o telefone para todos os seus amigos bêbados, às vezes vinha com uma flor,uma planta...
Como esta planta que está na frente da minha casa que apelidei com o seu apelido “Coração de Plástico’, um título de um livro meu que foi inspirado nele .Essa planta tem nove anos e foi um presente quando me mudei para esta casa e desde que chegou que é frágil,dá sinais que vai morrer,mas depois ressurge,resiste igual a meu irmão que muitas e muitas vezes vinha nas últimas de Estância e conseguia se recuperar e ainda fazer graça dos seus problemas cardíacos.
Ainda choro de saudades de meu irmão,como não ter saudades de quem nos alegra e nos mima com pequenos gestos.
Se esta planta fosse gente e gostasse de ler com certeza teria este pensamento como inspiração:
Gostaria que você soubesse que existe dentro de sí uma força capaz de mudar sua vida, basta que lute e aguarde um novo amanhecer.”

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